Milicianos e traficantes impedem campanha de candidatos em comunicades, denunciam políticos

Flávia Villela - Agência Brasil 14.08.2014 - 14h26 | Atualizado em 14.08.2014 - 15h06

 

Candidatos a deputado para as próximas eleições denunciam ameaças a cabos eleitorais por milicianos e traficantes em comunidades no Rio de Janeiro. A deputada estadual Cidinha Campos (PDT), que concorre à reeleição, fez queixa na Polícia Civil e, na tarde de hoje (14) se reúne com o procurador regional eleitoral Paulo Roberto Berénger, para tratar do assunto. Um inquérito foi aberto para investigar esses crimes eleitorais em comunidades nos bairros Del Castilho, zona norte, e em Bangu, zona oeste.

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“Os rapazes que trabalham para mim colocaram placas da campanha e no dia seguinte encontraram as placas queimadas e destruídas no chão. Um cara armado disse a eles que o local tinha dono e mandou que eles fossem falar com o presidente da associação dos moradores”, contou a deputada. A investigação está em andamento na 44ª Delegacia de Polícia (DP) de Inhaúma.

Segundo a deputada, dois homens que se disseram presidentes da associação entregaram um papel timbrado com a discriminação de todos os eleitores das comunidades. “Pela votação eletrônica, eles sabem o número de votos em cada zona eleitoral e obrigam os eleitores a votarem no candidato deles”, disse ela ao explicar que o local é controlado por milicianos, grupos de policiais e ex-policiais que cometem extorsões e crimes para garantir a segurança dos moradores. 

O deputado estadual, Carlos Minc (PT), que também tenta a reeleição, passou por situação similar na Favela da Rocinha, zona sul, há cerca de um mês. “Havíamos alugado um espaço para a campanha e o dono do local depois nos procurou para dizer que teria que cancelar o negócio pois os traficantes o haviam proibido de promover o evento e colocar placas”, contou Minc. “Os traficantes disseram que somente os candidatos deles poderiam ter placas na comunidades. Estamos esperando evidências, pois não posso chegar no Ministério Público sem provas e ninguém da comunidade vai denunciar. As pessoas têm medo”, disse ele.

Minc lembrou que enfrentou dificuldade para fazer campanha em algumas comunidades em eleições anteriores, mas não imaginava que esse tipo de coação existiria em lugares com Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), como é o caso da Rocinha. “Imaginava que com as UPPs não haveria currais eleitorais de forma tão violenta”, comentou ele. “Eles arrancam as placas, cobram e fazem acordos”, declarou ao explicar que em algumas comunidades é cobrado pedágio para a entrada de candidatos.

A Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) informou que não tomou conhecimento da denúncia oficialmente.

Edição Denise Griesinger

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