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Os itens que mais subiram são: arroz e feijão (de 3,95% para 5,38%).

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O feijão está mais caro; entenda por quê

Criado em 23/06/16 15h09 e atualizado em 23/06/16 16h16
Por Noelle Oliveira* Edição:Leyberson Pedrosa Fonte:Portal EBC

Item de consumo básico do brasileiro, a alta no preço do feijão passou a ser tema de preocupação em todo o país. O preço do feijão já ultrapassa o valor do café.  Dados do Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe) mostram que é a primeira vez que a saca (60kg) do produto chega a custar R$ 550 em alguns estados, enquanto a de café fica em torno de R$ 480.

O presidente do Ibrafe,  Marcelo Eduardo Lüders, adianta que a perspectiva é que a próxima safra de feijão, que ainda está sendo plantanda, possa atenuar o crescimento dos preços, mas não resolver o problema de vez.

"A previsão para regularizar o abastecimento é só em fevereiro de 2017, isso se as consições climáticas colaborarem", pondera Lüders. 

Na atual situação, a projeção, segundo o Ibrafe, é que o Brasil termine o ano somando uma produção de 2,6 milhões de toneladas de feijão e um consumo de 3,5 milhões.

Feijão
Creative Commons - CC BY 3.0 

A alta do feijão é culpa do clima? 

Em entrevista à  Rádio Nacional da Amazônia e do Alto Solimões, o assessor técnico de Cereais, Fibras e Oleoginosas da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Alan Malinski, explica que o problema climático é o principal causador da queda na produção de feijão no Brasil, o que traz como reflexo o aumento dos preço. 

"O Brasil produz em média de 3,3 a 3,5 milhões de toneladas de feijão por ano, das quais consumimos 3,3 milhões. Ou seja, trabalhamos muito próximo ao limite, sobrando muito pouco. Em anos normais, a produção abastece o mercado interno", exemplifica Malinski.

O assessor acrescenta ainda que o consumo interno de quase toda a produção do feijão impede que o Brasil se torne um exportador significativo dessa commoditie.

"Talvez a gente registre a pior safra da história recente, mesmo considerando que as situações de produção no passado eram outras", avalia Lürdes.

Entre os fatores apontados como motivos para o crescimento dos preços da iguaria brasileira, além da redução da oferta do produto frente à demanda, estão questões econômicas como o fato de o preço minimo do feijão não ter sido reajustado em 2015 e os valores da soja e do milho se mostrarem atraentes e com melhores expectativas de produção.

"Soma-se a isso, justamente, a questão climática do El Niño, que atingiu áreas muito importantes para a produção nacional. Enquanto estados como Minas Gerais e a Bahia sofreram com a seca, o Paraná viu a produção prejudicada com o excesso de chuvas", acrescenta. 

De acordo com informações da CNA, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso e Bahia são, respectivamente, os maiores produtores de feijão no Brasil.

Os números mostram que os problemas com a produção de feijão não são novos. "Hoje, variamos a produção entre três milhões de toneladas e 3,3 milhões de toneladas por ano", resume o dirigente do Ibraf. Segundo dados da CNA, nas safras de 2012 e 2013 o Brasil já havia registrado uma produtividade menor que a habitual, registrando uma quantia anual total de 3 milhões de toneladas. Em contrapartida, em 2011, o registro foi bem mais volumoso: 3,7 milhões de toneladas produzidas. 

"O feijão é um produto que não tem a vida útil tão longa. Sendo assim, o excesso de colheita reflete diretamente na queda do preço, enquanto na falta de colheita o preço sobe. A vida desse produto é curta, é complicado armazená-lo por mais de um ano, já que ele não passa por processamento e acaba perdendo qualidade", avalia Malinski.

Diversificação de variedades do feijão

Para o Ibrafe, investir na diversificação do produto produzido no Brasil, inclusive do feijão tipo carioca, é uma das receitas para evitar que problemas como o atual se repitam. "Precisamos diversificar as variadades, no caso do feijão carioca produzido hoje, se a produção é muito grande e sobra não temos para quem exportar. Em contrapartida, como vemos agora, se falta, não temos sequer de quem comprar", avalia. 

Os diferentes tipos de feijão também mostram realidades distintas quanto à produção nacional. "No caso do feijão preto, temos como importar de outros países. Tanto é que o preço desse tipo está em torno de 60% do valor do carioca", explica Lüders. Outro tipo de feijão que também mantém uma boa produtividade nacional é o fradinho. "Esse ano essa qualidade não vai ser exportada, como ocorreu anteriormente, vai ficar para alimentar a população brasileira", adianta o dirigente do Ibrafe. 

Medidas de importação

O Palácio do Planalto anunciou na última quarta-feira (22) que o governo vai liberar a importação de feijão de alguns países, com o objetivo de reduzir o preço do produto nos supermercados. A medida valerá para o feijão com origem na Argentina, no Paraguai e na Bolívia.

De acordo com o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi, está em estudo a possibilidade de importar o produto também do México e da China, segundo informações divulgadas pelo Portal do Planalto. "Essa atitude não vai resolver o problema, mas é o que o governo podia fazer nesse momento. Esses países não vendem fejão carioca, mas sim feijão preto, precisamos repenser a nossa produção para o futuro", avalia Marcelo Lüders.

O dirigente do Ibrafe destaca que mesmo com o preço do feijão carioca chegando a R$ 10 ou mais em supermercados de vários estados brasileiros, o movimento que se vê nas últimas estatísticas é de aumento nas vendas. "O consumo per capta de feijão considerado hoje é de 17 quilos por ano. Esse número vem crescendo, influenciado, entre outras coisas pela crise econômica", avalia. "Se com um quilo de feijão, custando R$ 10, você faz em média 14 refeições, isso ainda é mais barato do que outros insumos", resume Lüders.  

*Com informações da Rádio Nacional da Amazônia e do Alto Solimões e da Agência Brasil.

Creative Commons - CC BY 3.0
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