CPI do Tráfico de Pessoas ouve dirigentes da ONG Limiar Brasil

Alex Rodrigues - Agência Brasil 14.05.2013 - 12h42 | Atualizado em 14.05.2013 - 12h52

Brasília – Com quase uma hora de atraso e na iminência de ter que suspender a audiência tão logo tenha início a sessão ordinária do Congresso Nacional – convocada para votação da MP dos Portos - a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Pessoas da Câmara dos Deputados iniciou há pouco a acareação entre o presidente da organização não governamental (ONG) Limiar Brasil, Ulisses Gonçalves da Costa, e o administrador da entidade, Audelino de Souza, que atuava no Paraná.

Após apenas 45 minutos de acareação e dos dois depoentes convidados responderem as primeiras perguntas da deputada, o presidente da CPI, Arnaldo Jordy, disse estar ainda mais confuso com as contradições das novas respostas.  A acareação entre Costa e Souza foi requisitada pela deputada Antônia Lúcia (PSC-AC), que julgou necessário colocar frente a frente os dois colaboradores da ONG devido às "inúmeras divergências" e "depoimentos conflitantes" prestados anteriormente por Costa e Souza.

A Limiar Brasil é acusada de intermediar adoções irregulares de crianças brasileiras por famílias estrangeiras, atividade pela qual cobraria honorários. As crianças adotadas seriam principalmente filhas de famílias carentes de São João do Triunfo (PR). Em seu primeiro depoimento à mesma CPI, Costa revelou que a Limiar Brasil, ao longo de anos, intermediou 1,7 mil adoções. Hoje, tanto ele quanto Souza garantiram que todos os processos foram acompanhados e autorizados pela Justiça

"Todo esse trabalho, no Paraná, era feito pelo Audelino, que continuou fazendo com o crivo do Poder Judiciário. Todas essas adoções, imagino, têm critérios legais perfeitos e a Limiar Brasil não tem qualquer ingerência sobre isso", declarou Costa, restringindo as suspeitas ao Paraná e garantindo que, em São Paulo, a ONG mantém um abrigo infantil que só permanece aberto graças a um convênio firmado com a prefeitura de São Paulo, que licitou a estrutura onde vivem 20 crianças e trabalham 20 funcionários.

"Não sou um especialista em adoção e nunca recebi qualquer relatório com nomes de crianças [a serem adotadas]. E nunca tive contato com as famílias, quer seja com as destituídas da guarda, quer com as que adotaram. Se esta Casa acha que a estrutura do abrigo paulistano não é adequada, foi a prefeitura quem assim definiu", acrescentou Costa, admitindo que, devido a outras ocupações, não consegue acompanhar o dia a dia do abrigo. "Minha dedicação é muito aquém do que gostaria".

Edição: Davi Oliveira

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