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Imagem: Fernanda Carvalho/ Fotos Públicas

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Dengue em período frio foi 4,9 vezes maior do que no verão no Rio, em 2015

Criado em 02/03/16 15h35 e atualizado em 25/05/16 17h57
Por Luiz Claudio Ferreira e Nathália Mendes Edição:Amanda Cieglinski Fonte:Portal EBC*

Apesar de a dengue ser tratada como uma doença de verão, no Rio de Janeiro, o número de casos foi maior no segundo e no terceiro trimestres de 2015. O crescimento da doença após o período de maior calor, no ano que antecede as Olimpíadas, chama atenção para o risco de transmissões por meio do mosquito Aedes aegypti, responsável também pela propagação da zika e da febre Chikungunya.

Na última década, por duas vezes, em 2010 e em 2015, o número de casos de dengue na capital fluminense foi maior entre julho e setembro (período olímpico) do que na época mais quente do ano (de dezembro a fevereiro). No ano passado, o número de casos nos meses frios foi 4,9 vezes maior do que nos meses quentes. Mas os maiores picos da doença foram entre abril e junho, como em outros seis anos no período analisado (2005 a 2015). 

O pico de 2015 foi registrado em maio, quando foram notificados 5.366 casos. Enquanto no período mais frio foram somadas 2.475 notificações, no verão, foram 504, segundo dados Prefeitura do Rio de Janeiro. 

De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Entomologia, Pedro Neves, é fato que, com as temperaturas mais elevadas a ameaça do Aedes é maior por causa da grande quantidade de chuvas. Nos anos de 2002 (mais de 85 mil casos no verão) e 2008 (mais de 29 mil casos), por exemplo, a cidade viveu verdadeiras epidemias da doença que não se repetiram no inverno. "Entretanto, regiões quentes e tropicais como o Rio de Janeiro ou o Nordeste brasileiro, mesmo no inverno, as condições de temperatura são ainda propícias para o desenvolvimento do inseto e, se forem invernos chuvosos, teremos mais um fator favorável ao inseto", explica o professor.

Dengues 2015 - por mês
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Atletas e delegações estrangeiras demonstraram recentemente preocupação com o avanço de doenças em que o Aedes aegypti é o transmissor, especialmente o novo Zika vírus. Entre as manifestações, norte-americanos levantaram a hipótese de não ir aos Jogos Olímpicos do Rio "se não se sentissem confortáveis", em virtude da propagação da zika. A possibilidade teria sido levantada durante uma teleconferência com membros do Comitê Olímpico dos Estados Unidos (USOC). Depois, em nota, o porta-voz do comitê, Patrick Sandusky, garantiu que "a informação de que o Comitê Olímpico dos Estados Unidos aconselhou os atletas norte-americanos a reconsiderarem sua participação nas Olimpíadas do Rio por conta do Zika vírus são 100% inexatas

O comitê acompanha de perto a propagação do vírus no Brasil por uma página atualizada periodicamente. Quenianos (que integram outra potência do atletismo) também apontaram que não pretendem se expôr caso sejam atingidos "níveis epidêmicos". A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, minimizou, em visita ao Brasil, o risco de visitantes e atletas contraírem a zika durante os Jogos, apoiando-se na estatística da diminuição da população de mosquitos na época em que os Jogos serão disputados: "Nossos especialistas têm se reunido com o governo e o Comitê Olímpico local, para desenvolver um plano sólido de controle de vetores [de doenças]. Além disso, em agosto e setembro, é inverno e estação de seca no Brasil”.

 

 

Dengue no Rio de Janeiro
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O fato, porém, é que, além do ano passado, a cidade viveu outro momento em que as notificações foram maiores nos meses de julho a setembro, que em 2016 coincidem com a chegada de turistas (julho) e a realização das Olimpíadas (agosto) e das Paralimpíadas (setembro). Em 2010, o número de casos no inverno foi de 745, enquanto que o verão, foram 529. Na década passada, os números de notificações foram semelhantes nos anos de 2005 (149 casos no inverno e 146 no verão) e em 2001 (2008 notificações no inverno e 1947 no começo do ano). Como pode ser observado no gráfico acima, porém, na maior parte dos anos, as notificações no verão são em maior número.

Contaminação

Para o especialista Pedro Neves, a manutenção ou até o aumento de casos têm relação com o crescimento permanente do número de insetos e da conservação das condições para reprodução. "Assim, a população que vem alta do verão continua aumentando, em taxas menores, mas ainda transmitindo a dengue", avalia Pedro Neves.

A epidemia tem relação com o aumento de pessoas infectadas e não apenas com o número de insetos, conforme explica o especialista. "Se você tem no verão hipoteticamente 1.000 insetos e 10% infectados com o vírus (transmitindo a doença) você terá 100 insetos transmitindo o vírus. Se no 'inverno' você tiver 500, mas 30% infectados você terá 150 insetos transmitindo e assim poderá ter mais casos de dengue na população", exemplifica. Nesse contexto, Neves indica que nem a população ou as autoridades públicas devem relaxar no combate às doenças causadas pelo inseto.

Soluções contra Aedes

A luta do sanitarista Oswaldo Cruz, no início do século 20, contra a febre amarela (transmitida também pelo mosquito Aedes) poderia servir de exemplo para as autoridades públicas e para a população. A opinião é da historiadora Ana Luce Girão, da Casa de Oswaldo Cruz, ligada à Fundação Fiocruz. “Ele combateu os focos durante o ano inteiro e não apenas no verão. Em 1907, foi emitido um relatório em que já afirmava que havia acabado com o mosquito. Ele tornou obrigatória, por exemplo, a notificação da doença”, pontua. 

A professora contextualiza que o sanitarista, que dirigia o Departamento Nacional de Saúde Pública, foi responsável pelo serviço de profilaxia da febre amarela. “Claro que a situação de hoje é bem mais complexa. Temos focos de inseto hoje no Brasil inteiro e a população é muito maior. Mas esperamos que entremos para a história pelo combate efetivo que tivemos nesse momento. Temos todas as condições para isso porque há mais possibilidades de pesquisar e compartilhar informações. Isso cabe a todos nós”, avalia Ana Luce.

Combate contra doenças

A Prefeitura do Rio de Janeiro informou que terá ação estratégica também após o período mais crítico do Aedes. Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Saúde, o trabalho será diuturno com 8 mil agentes de saúde e toda a estrutura de atendimento e informações para que a cidade não “relaxe” após o verão. A administração considera que a população está acostumada a colaborar com denúncias (pelo telefone 1746) e que ajudou a enfrentar os piores períodos de surto. Em relação ao Zika, uma preocupação dos país que disputaram os Jogos Olímpicos, a cidade somou 5.830 casos em janeiro.

O Ministério da Saúde informa em nota que, como todos os anos, o aumento dos casos da dengue é iniciado no final do verão e tem seu pico entre abril e maio. A partir desse período, o número de notificações cai até atingir seu nível mais baixo. Em 2015, por exemplo, o número de casos entre agosto e setembro, período em que ocorrerão as Olimpíadas, foi, aproximadamente 7 vezes menor do que o pico de notificações da doença no ano. De acordo com o ministério, os governos federal, estadual e municipal têm atuado na mobilização e no reforço assistência para garantir a segurança da população e dos visitantes durante os jogos.

* A matéria foi alterada no dia 24/05/16 para acréscimo de informações no primeiro parágrafo. Em 25/05 foi incluída posição do Ministério da Saíde. 

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