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Privacidade na web

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Publicidade direcionada leva em conta hábitos dos usuários da web

Criado em 28/08/13 15h27 e atualizado em 28/08/13 15h49
Por Edgard Matsuki Edição:Leyberson Pedrosa Fonte:Portal EBC

As chamadas publicidades direcionadas são um dos exemplos mais claros sobre como os dados de usuários são utilizados pelas empresas. Ao manter um registro do comportamento do internauta por meio de páginas visitadas, registro de geolocalização e termos colocados em caixas de pesquisa, as empresas oferecem banners () com conteúdo publicitário direcionado ao potencial cliente.

A intenção das empresas é justamente oferecer os anúncios mais relevantes possíveis em espaços publicitários. Isso gera mais cliques por parte de usuários, que gera mais vendas para quem anuncia, que valoriza o espaço publicitário e que gera mais lucros para as empresas que oferecem o espaço publicitário.

Não é difícil encontrar publicidade direcionada na web. Google e Facebook, os dois sites mais acessados na internet em todo o mundo, utilizam as ferramentas. Quem utiliza o serviço de busca ou a rede social pode perceber que os anúncios publicitários das páginas estão relacionados justamente com páginas que o internauta visitou ou buscou.

Por exemplo: se o usuário pesquisou por uma semana computadores para serem comprados pelo internet, há grandes chances de encontrar banners oferecendo computadores quando ele acessa sites que utilizam o Adsense (serviço de publicidade do Google), o Google e o Facebook.

Na página do Adsense, o Google explica como os dados dos usuários são utilizados na publicidade direcionada. De acordo com a empresa, dados de navegação do computador do usuário, histórico de pesquisas da conta do Gmail e tipos de sites que ele visita são fatores que definem quais anúncios serão mostrados.

Este tipo de publicidade “personalizada” gera um debate na internet. No ano passado, o advogado do Instituto de Defesa do Consumidor, Guilherme Varella, criticou as políticas de privacidade do Google durante audiência pública na Câmara dos Deputados (em Brasília). “Google pode estar criando sistema de monitoramento da navegação dos usuários. Os serviços poderiam ser prestados com muito menos dados fornecidos pelo usuário”, afirmou.

Na mesma ocasião, a advogada Fabíola de Almeida Santos criticou o uso de palavras utilizadas em e-mail para publicidade direcionada.  “A transferência de informações viola a privacidade”, falou. Ela também criticou a dificuldade de configurar a conta para “não ser rastreada”.

Na prática, o Google não está violando nenhuma lei ao acessar palavras contidas em e-mail para criar publicidade direcionada. A empresa também afirma que respeita limites éticos do que seria invasão de privacidade. Por meio da assessoria no Brasil, a empresa afirmou que “ trabalha continuamente para garantir uma segurança robusta, proteger a privacidade dos nossos usuários e tornar o Google mais eficaz e eficiente”.

O Google afirmou também que utiliza apenas ferramentas tecnológicas para “fazer a leitura das palavras do e-mail”. “Nenhum ser humano lê seu e-mail a fim de mostrar anúncios ou informações relacionadas. Um algoritmo automatizado determina que anúncios são exibidos”, explica a empresa. A empresa diz que a publicidade é uma das formas de manter os serviços gratuitos.

Não é apenas o Google que utiliza dados de usuários para lucrar. O Yahoo!, por exemplo, deixa explícito nos termos de privacidade que usa os dados para “orientar pesquisas e proporcionar relatórios de informações não identificáveis para clientes internos e externos”. E, tanto no caso do Google como do Yahoo!, é preciso aceitar os termos para usar o serviço.

De acordo com Paulo Rená, criador do Partido Pirata no Brasil e um dos participantes da criação do projeto do Marco Civil na internet, é justamente a falta de legislação em relação aos limites do que pode ser usado pelas empresas que acaba dando poucas opções aos usuários: “a preocupação existe porque os usos dos dados das pessoas teriam que ter um limite em contrato. O problema é que, via de regra, esses contratos não têm limitação prévia”.

Para Rená, uma das saídas seria a aprovação do anteprojeto de lei Proteção de Dados Pessoais. A proposta, que está na Casa Civil e aguardando a aprovação do Marco Civil para entrar na pauta, regularia até que ponto os dados dos usuários poderiam ser utilizados por empresas. Não há data para que a proposta entre em pauta no Congresso.

O que é banner

O que é banner – O banner é o espaço publicitário mais comum da web. Eles são criados por meio de aplicações em Java, Flash ou Shockwave e podem mostrar imagens ou texto. O objetivo é o apontamento para um link externo para publicidade. É possível ver banners publicitários em sites informativos, blogs, redes sociais e nos próprios buscadores.

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Edição: Leyberson Pedrosa


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