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O pianista Francisco Tenório Cerqueira Jr. desapareceu na Argentina em 18 de março de 1976 , seis dias antes do golpe militar no país

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Suposto sequestrador de Tenório Jr é extraditado para Argentina

Criado em 27/03/13 18h27 e atualizado em 17/04/13 20h38
Por Leandro Melito Fonte:Portal EBC

O argentino Cláudio Vallejos, que afirma ter participado do sequestro do pianista brasileiro Tenório Jr em março de 1976, quando integrava o Serviço de Informação Naval da Marinha Argentina, foi  extraditado nesta quarta-feira (27).

Confira o depoimento de Vallejos no documentário "Tenório Jr?"  (Alberto Baumstein, Renato Sacerdote e Rogério Lima)

Vallejos estava preso no Brasil desde 2012 acusado de estelionato depois de tentar aplicar um golpe em Lages, região Oeste de Santa Catarina. Após a notícia de sua prisão a Justiça Argentina pediu sua extradição.

Vallejos foi entregue para à polícia da Argentina no aeroporto Hercílio Luz em Florianópolis (SC) na noite desta quarta-feira e seguiu para seu país em vôo comercial segundo informou a Polícia Federal em Santa Catarina.

O procurador federal argentino da causa penal da Operação Condor, aliança político militar entre as ditaduras da América do Sul, Miguel Angel Osorio, abriu uma investigação formal sobre a morte do pianista Francisco Tenório Jr em fevereiro de 2012 e pediu a extradição de Vallejos.

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Com 35 anos à época de seu desaparecimento, Tenório não tinha envolvimento com movimentos políticos. Deixou no Brasil quatro filhos e a esposa Carmen Cerqueira, então grávida de oito meses. Em 2006 o Estado brasileiro reconheceu ter “feito muito pouco” para localizar e devolver à família os restos mortais de Tenório Júnior. Trinta anos depois, sua mulher e filhos foram indenizados por danos morais e materiais, mas o destino dos restos de Tenório ainda é desconhecido.

A versão de Cláudio Vallejos para a morte de Tenório Jr

Segundo declarações do próprio Vallejos, o pianista teria sido assassinado por um oficial argentino, após nove dias de tortura, no dia 27 de março de 1976, há exatos 37 anos. O argentino afirma ter atuado na repressão a presos políticos na Esma (Escola de Mecânica Armada), um dos principais centros de prisão clandestina durante a ditadura na Argentina (1976 – 1983), onde cerca de 5 mil pessoas foram mortas e desaparecidas.

Em 1986, em entrevista à revista Senhor nº 270, Vallejos admitiu ter participado de sessões de tortura contra oponentes do regime e do sequestro do pianista brasileiro Francisco Tenório Cerqueira Junior, conhecido como Tenorinho.

Segundo o relato de Vallejos, Tenorio teria sido levado para a Esma suspeito de manter ligações com grupos subversivos na Argentina. Lá teria passado por nove dias de tortura, com choques e afogamentos. Sem condições de ser liberado, Tenório teria sido executado com um tiro na cabeça por um oficial argentino.

O desaparecimento de Tenório

O pianista brasileiro Francisco Tenório Cerqueira Júnior desapareceu em 1976, em Buenos Aires, seis dias antes do golpe militar que derrubou a presidenta Isabelita Perón, na Argentina. Seu sumiço mobilizou toda a classe artística na época. Elis Regina, Vinícius de Moraes, Toquinho e Ferreira Gullar foram artistas que se mobilizaram para encontrar informações sobre Tenório.

Na ocasião, o pianista acompanhava os músicos Vinícius de Moraes e Toquinho em duas apresentações no teatro Gran Rex, em Buenos Aires. No dia 18 de março daquele ano, Tenório desceu de seu quarto no hotel Normandie na Avenida Corrientes e deixou um bilhete na porta de Vinícius. “Vou sair para comer um sanduíche e comprar um remédio. Volto logo”. Nunca voltou.

O desaparecimento de Tenório Jr. será investigado pela Comissão Nacional da Verdade (CNV), a pedido da mulher e filhos do músico que procuraram o grupo em fevereiro deste ano. A CNV enviará ao governo argentino um pedido de investigação sobre o desaparecimento de 15 brasileiros no país vizinho durante ações da Operação Condor, entre 1975 e 1981.

Os documentos  serão enviados à Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Argentina, responsável pelos arquivos sobre a ação dos órgãos de repressão no país durante a ditadura militar (1976-1983), e ao Conselho Nacional da Magistratura argentino.

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